Jornalista: Juliana Domingos de Lima
Fonte: Jornal Nexo

 

Som da própria voz chega de duas maneiras distintas. Vibração interna de quando se fala cria distorção em relação ao que se ouve em gravações.

Foto: Alan Levine/ Creative Commonsgravação vozVibração sonora da própria voz estimula diretamente o ouvido interno e cria percepção distinta da real

É seguro dizer que a maioria daqueles que já tiveram a oportunidade de ouvir uma gravação da própria voz se surpreenderam – muitas vezes, negativamente – com a forma como soam para ouvidos alheios. Mesmo cantores e músicos em geral, que normalmente têm mais controle sobre sua voz, não se ouvem da mesma forma enquanto cantam e quando gravam uma entrevista, ou quando ouvem mais tarde uma de suas performances gravadas.

Por que a percepção da voz gravada é diferente

O som da própria voz chega ao ouvido de duas maneiras distintas, e isso gera variações na forma pela qual esse som é percebido.

Vibração sonora vinda de fora

A primeira maneira pela qual o som chega ao ouvido de quem fala é a “normal”, a mesma pela qual percebemos todo som externo: ele sai da boca e chega à orelha por meio de vibrações do ar. Atravessa o canal auditivo e atinge o tímpano – uma membrana fina que separa ouvido externo e médio. A vibração do tímpano movimenta o martelo, a bigorna e o estribo, três ossos muito pequenos que fazem com que o som chegue até a cóclea, porção mais interna do aparelho auditivo. As células estimuladas pelo som liberam impulsos nervosos que chegam  ao cérebro pelo nervo auditivo.

Vibração sonora vinda de dentro

Quando se fala ou canta, as vibrações das cordas vocais dentro do corpo também são percebidas pelo ouvido. Nessa segunda forma de transmissão, segundo explicou o professor William Hartmann, que ensina física na Universidade de Michigan, em entrevista ao “The New York Times”, as vibrações são transmitidas por meio dos ossos e estimulam o ouvido interno diretamente. O efeito é uma ênfase maior em frequências sonoras mais baixas, o que faz com que a própria voz soe mais grave e profunda quando se escuta. E distinta da voz gravada, que é o som “real” como é percebido pelas outras pessoas.

Mais nuances

A explicação segundo a qual percebemos com mais ênfase frequências baixas da própria voz não explica por que muitos se acham mais agudos do que julgavam quando se ouvem em gravações.

A variação de percepção sobre a voz “real” tem a ver com o fato de que o caminho interno do som quando a pessoa está falando ou cantando pode fazer vibrar de formas distintas o crânio e outras estruturas, originando nuances sonoras que variam de pessoa para pessoa. Essas nuances envolvem vibrações do crânio, a interação com o líquido cefalorraquidiano (fluído que envolve cérebro e medula espinhal) e a pressão sobre o canal auditivo, como explica John J. Rosowski, professor e pesquisador da faculdade de medicina de Harvard.

 

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